Crónicas de Ivan Valério: A vendedora ambulante de preservativos

Preservativos

O meu nome é Odete Bailão mas não sei bailar nem as músicas do Emanuel nos bailes de Verão, tenho entre os 55 e os 69 anos, sou sócia do INATEL desde os 18 anos e sei fazer um ensopado de borrego à pastora muito bom. Bom, fui peixeira em Beja durante quase vinte anos. Mas aborreci-me daquilo. Em primeiro lugar o cheiro do peixe era uma tourada para me sair das mãos! Quantas vezes não cheguei a estar a comer frango assado e a boca a saber-me a douradas? É horrível! Ainda por cima douradas de viveiro cheias de toxinas! E as moscas? Não me largavam! Cheguei a estar na missa de Domingo e três moscas da vareja voando em meu redor! É humilhante. O que pensariam as pessoas? Que tinha ido para a missa sem me lavar por baixo! Um dia estava eu sentada no sofá a pensar no que fazer à vida quando passa na televisão um anúncio de preservativos! E aí fez-se luz na minha cabeça! No dia seguinte fui ao LIDL, comprei cinco caixas com vários tipos de produtos marca branca e comecei a vender pela cidade. Olhe, foi bombástico! Ao início chegavam a vir pessoas da Vidigueira e da Cuba só para me comprar preservativos. Cheguei a ter clientes de Coimbra em dia de queima das fitas! Havia até quem dissesse que os meus artigos eram mais terapêuticos que a água de Monchique! Verdade! Nunca mais me esqueço de uma moça minha cliente me dizer “ai dona Odete, só com um preservativo dos seus ontem foram sete!” Isso sim é qualidade! E eu fui sempre uma empresária comprometida com a sustentabilidade ambiental: os meus preservativos têm vasilhame. Trazem-me o usado e eu desconto a tara no novo. Depois é só deitar no ecoponto amarelo.

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